O “Caso Epstein”: a nu
“A grande imprensa chama a tudo isto ‘o caso Epstein’. Porém, quando quem está envolvido são capitalistas de primeira linha, dois presidentes da principal potência imperialista e altos dirigentes, a rubrica jornalística certa já não é a crónica social.”
Forçado por uma votação no Congresso dos EUA, o Departamento (ministério) da Justiça dos EUA abriu ao acesso público três milhões de elementos de correspondência, fotos e vídeos do processo Epstein.
Jeffrey Epstein é o homem de negócios americano condenado, em 2008, a dezoito meses de prisão por “solicitação de prostituição e aliciamento de menores para a prostituição”. Cumpriu, na altura, treze meses dessa pena. Foi novamente detido em 2019 por “tráfico sexual de menores”. Morreu na prisão, “suicidado”, em Agosto de 2019.
Epstein foi um criminoso sexual que, com toda a probabilidade, fez centenas de vítimas, principalmente raparigas muito jovens. Mas foi mais do que isso: durante vinte e cinco anos, frequentou as grandes sumidades do mundo. Organizava-lhes orgias nas suas luxuosas propriedades e ligava-se-lhes por esquemas financeiros.
Entre os envolvidos: Trump e o seu antecessor democrata, Clinton; multimilionários como Bill Gates, Elon Musk e Robert Maxwell (ex-sogro de Epstein); o “príncipe” André da Grã-Bretanha; o ex-primeiro-ministro israelita Ehud Barak; membros da família real saudita; a “princesa” herdeira da Noruega; Steve Bannon (ideólogo da extrema-direita americana); o ex-ministro francês Jack Lang; o chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico Starmer… e falta o espaço para enumerá-los a todos. Sem falar dos laços estreitos de Epstein com os serviços de informação americanos, russos e israelitas.
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Nunca os trabalhadores precisaram tanto de uma voz independente.
A grande imprensa chama a tudo isto “o caso Epstein”. Porém, quando quem está envolvido são capitalistas de primeira linha, dois presidentes da principal potência imperialista e altos dirigentes, a rubrica jornalística certa já não é a “crónica social”.
O que o “caso Epstein” põe a nu é o grau de degenerescência e corrupção (material e moral) atingido pela classe capitalista que nos governa.
Os cúmplices de Epstein são exactamente a mesma gente que anda por aí a dar lições de moral e de “democracia” ao mundo inteiro. São os que decidem planos de despedimento e orçamentos de austeridade. Os que oferecem em holocausto centenas de milhares de mulheres, homens e crianças nas suas miseráveis guerras.
Não é que tudo isto seja especialmente novo. A Igreja Católica prestou durante séculos este género de serviços aos poderosos do mundo, servindo-se dos seus conventos e orfanatos.
Nos anos de decadência da ditadura salazar-marcelista, estalou o escândalo dos “ballets roses”, um esquema de tráfico e exploração sexual de menores que envolveu, em Portugal, os maiores capitalistas e especuladores e muitos dignitários do regime.
E esse é o ponto. Não sendo nada disto novo, quando o grau de decadência da burguesia, reflexo da agonia sem fim do sistema capitalista assente na propriedade privada dos meios de produção, se combina com a putrefacção do seu sistema político de dominação, os escândalos vêm a lume. É um sinal dos tempos: em cima, tudo apodrece, até o sistema de encobrimento.
Só os trabalhadores organizados poderão varrer esta podridão, varrendo esta classe exploradora degenerada e o seu sistema.