Jornal Maio

Por que votarei em André Pestana para PR

António Simões do Paço

ilustração: Pedro Brito

  1. O mundo enfrenta já hoje e nos anos mais próximos o espectro da guerra. Não adianta olhar nem assobiar para o lado: travar os promotores da guerra, e à cabeça destes os mais poderosos, EUA e NATO, é a tarefa primordial. Portugal e a Europa precisam de desatrelar-se da NATO. Não há nenhuma “ala esquerda” da NATO, apenas capituladores e colaboracionistas. Qualquer candidato que não tenha isto claro está aquém do necessário.

  2. Perante a perspetiva de guerra, comercial ou com bombas, e os consequentes entraves à circulação mundial de mercadorias, EUA e Europa tratam de trazer de volta para os seus territórios parte da produção que deslocalizaram para países do “terceiro mundo” com salários mais baixos. Mas para que os lucros não sofram, é preciso impor, com “pacotes laborais”, condições de trabalho mais precárias aqui mesmo. É para isso que servem a direita e a extrema-direita: para trazer para cá o Bangladesh ou o Paquistão, os salários e as condições de trabalho de miséria desses países. Para enfrentar essa ofensiva precisamos de sindicalistas combativos como André Pestana demonstrou ser à frente do STOP e uma esquerda de cara lavada e “folha limpa”, não comprometida com imperialismos nem com regimes ditatoriais que afastaram milhões de trabalhadores, intelectuais, cientistas, da própria ideia de socialismo.

  3. Numa segunda volta, em face do que se perspetiva, o meu voto será quase certamente um voto contra. Então se o candidato fascista estiver presente, votarei obviamente contra ele. Contra o fascismo, votaria até numa mula, se fosse preciso.