António José Seguro venceu as eleições para Presidente da República com perto de 67% dos votos. Ventura obteve 33%, ainda assim, mais de 1,7 milhão de votos. Dois terços dos que votaram rejeitaram o candidato fascista. Ventura só conseguiu acrescentar cerca de 400 mil votos ao seu resultado da primeira volta, apesar de os três candidatos de direita derrotados (Cotrim, Gouveia e Melo e Marques Mendes) terem somado mais de 2,3 milhões.
Paradoxalmente, Seguro, com os seus quase 3,5 milhões de votos, é a estabilidade do que continua a estar mal, contra a ameaça da violência fascista, protagonizada pelo Chega.
O Governo Montenegro sai destas eleições e da sua inépcia para reagir à destruição das tempestades que vêm assolando o país politicamente mais morto que vivo. Não obstante, tentará continuar a aplicar a sua política de destruição do SNS e da escola pública, de destruição dos direitos laborais, de fomento dos senhorios e de despejo dos trabalhadores.
O primeiro grande teste ao presidente eleito será a sua atitude perante o pacote laboral de Montenegro: irá vetá-lo ou deixá-lo passar? Durante a campanha eleitoral afirmou apenas que não publicaria as alterações à legislação laboral tal como estão porque a questão “não fez parte” das propostas eleitorais e porque “não houve acordo” em concertação social.
O pacote laboral é inegociável. É para derrotar. E não para ficar na mesma, mas para repor direitos básicos há muito retirados. E isso não depende da “concertação social”, mas da força que o país que trabalha demonstrou agora no voto para derrotar o candidato fascista para, nas empresas e nas ruas, o derrotarem por KO.