O que esclarece o momento e a forma do ataque norte-americano à Venezuela é que funciona como um meio de pôr fim ao regime de sanções, em vez de o perpetuar. As sanções tinham atingido o limite da sua utilidade: restringiam a produção venezuelana, distorciam os mercados e obrigavam as refinarias norte-americanas a depender de alternativas mais caras ou menos compatíveis.
Um mês depois do sequestro do Presidente venezuelano Nicolás Maduro e da deputada e sua mulher, Cilia Flores, começam a poder discernir-se algumas coordenadas da nova situação no país e para além dele.
A nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA deixa claro que a doutrina Monroe, da década de 1820, está de volta. Mas a tragédia da Venezuela e da América Latina é também que a desindustrialização do subcontinente desde a década de 1980 e a dependência crescente de exportações de matérias-primas sujeitam todas essas economias à volatilidade dos preços das matérias-primas (agrícolas, metais e petróleo), impossibilitando qualquer política económica independente.
Nos últimos dias de 2025, Trump afirmou “queremos o nosso petróleo de volta” e deu início a uma agressiva escalada de pressão económica que, menos de um mês depois, culminaria na invasão brutal e no sequestro relâmpago do chefe de Estado venezuelano.
A EU, em conivência com Zelenski, faz campanha não só para continuar a guerra, mas para a intensificar e alargar com a entrada direta dos países europeus, e, pelo menos parcialmente, da NATO.