Jornal Maio

ilustração: Pedro Brito

O voto para a Presidência da República é, acima de tudo, um voto na pessoa que se apresenta ao país. Não é apenas um exercício formal, exige conhecer o percurso, a visão e a filosofia política de quem se propõe representar todos os Portugueses. É a partir dessa leitura que cada eleitor decide quem melhor encarna os valores que considera essenciais para o futuro coletivo.

Numa altura em que a demagogia está ao rubro na sociedade, encontro em Jorge Pinto um candidato que assume uma esquerda progressista sem receios, distinta de uma esquerda cansada ou defensiva. Sabia que seria alvo de desvalorização, tanto pela sua juventude como pela sua posição política num tempo em que o debate público se tornou mais ruidoso, polarizado e extremista. 

Paradoxalmente, são precisamente esses fatores que me levam a olhar para a sua candidatura com interesse. A juventude, quando aliada a responsabilidade e preparação, é sinónimo de visão. É a capacidade de olhar para Portugal com ambição, recusando o imobilismo e acreditando que o país pode ser mais justo, mais moderno e mais coeso.

A política, para mim, deve ser um espaço de responsabilidade e compromisso com o bem comum. Ao analisar o programa e a postura pública de Jorge Pinto, encontro alguém que encara o cargo de Presidente da República com seriedade, num momento em que a confiança nas instituições está fragilizada. Uma das qualidades que mais valorizo é a sua honestidade intelectual, comunica com clareza, sem dramatismos, sem populismos fáceis e com respeito pela inteligência de quem o escuta. A forma como se expressa é rigorosa, cuidada e estruturada, o que revela preparação e respeito pelo país.

Há ainda um ponto que considero determinante, a independência. O Jorge Pinto “não tem dívidas para pagar”; com isto refiro-me à ausência de compromissos políticos assumidos previamente com estruturas, grupos ou interesses que, noutros casos, condicionam decisões e limitam a liberdade de atuação. A Presidência da República exige precisamente o contrário, exige alguém capaz de decidir com rigor, sem pressões externas, sem favores acumulados, sem amarras herdadas. A independência não é um detalhe, é uma condição para o exercício pleno e responsável do cargo.

O seu programa apresenta uma visão para Portugal que considero necessária. Na mensagem de Ano Novo, defendeu que 2026 deve ser o ano em que finalmente se garante habitação digna a preços acessíveis, um dos maiores desafios sociais do país. Sublinhou também a urgência de reforçar o Serviço Nacional de Saúde, lembrando que a organização do SNS exige coragem política e uma liderança que não esteja presa a compromissos partidários ou interesses instalados. Para quem trabalha diariamente pela dignidade e pelos direitos das pessoas, esta prioridade é incontornável.

A sua proposta coloca ainda a cultura no centro da qualidade de vida e reforça a importância da coesão territorial, defendendo um país que não se divide entre centros urbanos e regiões desertas esquecidas. Esta visão de equilíbrio é essencial para quem pretende unir e não fragmentar.

Outro ponto que me aproxima da sua candidatura é a sua perspetiva europeísta e progressista. Defende um Portugal aberto, moderno, comprometido com a democracia, a diversidade e a solidariedade, capaz de enfrentar desafios globais com responsabilidade. Esta visão corresponde ao país que acredito que devemos construir, um país que não teme o futuro e que assume o seu papel na Europa.

O programa apresenta ainda uma forte componente ecológica e de justiça social, reconhecendo que os desafios climáticos e sociais do século XXI exigem políticas ambiciosas e uma defesa firme da dignidade humana. Esta combinação de responsabilidade ambiental e compromisso social traduz a ideia de política que considero necessária.

Por tudo isto, o meu apoio a Jorge Pinto é um gesto de coerência com os valores que defendo. É escolher alguém que representa uma forma de estar na vida pública que considero essencial, estar com seriedade, livre de amarras, comprometimento com a dignidade e com a construção de um país mais justo. É a escolha de um futuro que acredito possível.