Jornal Maio

ilustração: Pedro Brito

Estávamos a 30 de abril de 2009. O Parlamento aprovava a revisão da lei do financiamento dos partidos políticos e das campanhas eleitorais. A lei aumentava para o dobro os limites de dinheiro que os partidos poderiam receber em “dinheiro vivo”, em quotas e contribuições. Estava aberto o caminho para o aumento da corrupção. A nova lei recebeu o voto favorável de todas as bancadas parlamentares. Apenas um deputado, um só, isolado, votou contra: António José Seguro. Sozinho, mas do lado certo da barricada. Os valores da ética e da seriedade, neste como noutros momentos, sempre marcaram a vida pública de António José Seguro. 

Outra das marcas de António José Seguro é a dignidade com que sempre desempenhou as suas múltiplas funções públicas. Quando, em 2014, abandonou a liderança do Partido Socialista, saiu sem alarido, não criou qualquer fação de oposição interna. Nem sequer se refugiou num qualquer cargo nacional ou internacional, recusou sinecuras e quaisquer prebendas que a sua posição privilegiada lhe poderia conferir. Dedicou-se à vida profissional, privada e familiar. Em suma, abandonou o poder e tornou-se um cidadão comum. Poucos o fariam. Só alguém que interioriza e pratica na sua vida a ética republicana o poderia conseguir.

Por fim, destaco a sua postura tranquila nas intervenções públicas. Nunca trouxe para o debate uma postura demagógica e tonitruante.

Fiquei, pois, entusiasmado quando soube que António José Seguro decidira candidatar-se a Presidente da República. Seguro conseguiu até hoje fazer uma carreira política sem se deixar contaminar pela promiscuidade entre política e negócios. É um candidato livre, sem amarras partidárias, sem cumplicidades com grupos económicos, sem dependências de corporações. Apesar da sua longa carreira pública, é um homem livre.

Se for eleito Presidente, terá coragem para enfrentar os interesses instalados mais perversos. É um defensor indómito da democracia e da liberdade. E será um Presidente tranquilo, tão necessário nestes dias em que a sociedade se encontra crispada e ameaçada por populismos, pelas mentiras e por falsas narrativas. Já deu suficientes provas de integridade política, serenidade dialogante e independência para que mereça o voto de confiança dos Portugueses.

Por todas estas razões, aceitei prontamente o convite que me formulou para integrar a sua Comissão de Honra. Em António José Seguro votaria em qualquer circunstância. Tem o perfil adequado que defendo para o cargo da mais alta magistratura da nação. Tem a postura política (no sentido mais nobre do termo) que aprecio no exercício da Presidência. Espero que os eleitores consigam ver que, nestas eleições, votamos uma ideia de País, mais do que num ou noutro programa eleitoral. Quem melhor defende o País democrático e republicano, íntegro, conciliador e determinado, é Seguro. 

Desejo a António José Seguro uma excelente campanha e o melhor. Tem o meu apoio.