Jornal Maio

Já basta! Protestar, resistir, greve!

Os patrões querem luta de classes? Muito bem, vão tê-la!

A fábrica da Mercedes Benz de Untertürkheim, perto de Estugarda, na Alemanha, tem actualmente cerca de 18 mil operários. É a fábrica-mãe da marca, fundada em 1904, considerada o berço da indústria automóvel. Ainda é o principal centro de competências da Mercedes. Ali se produzem motores de explosão e eléctricos, caixas de velocidades, eixos, baterias. Porém, está, como boa parte da indústria automóvel alemã, sob ataque do patronato. Reproduzimos aqui uma resolução dos delegados sindicais da Mercedes-Benz Untertürkheim.

Comissão sindical da Mercedes Untertürkheim

Mal passa um dia sem novo anúncio de que tal empresa vai fazer despedimentos ou tem de “poupar” à nossa custa.

Crise por toda a parte.

E os patrões querem que sejamos nós a pagar.

Também não é que o governo faça alguma coisa por nós. Quer acabar com o imperativo legal da jornada de trabalho de 8 horas: que trabalhemos mais pelo mesmo salário ou até por menos. E ainda tem na manga a “reforma aos 70”.

Trabalhar até morrer. Do subsídio de cidadania1 passa-se a uma dita “prestação básica”. Querem que, destruindo-nos o patrão o posto de trabalho, fiquemos obrigados a aceitar até o emprego mais miseravelmente pago.

Andam a dar cabo do sistema de saúde à força de austeridade, a transformar a assistência médica em privilégio para ricos. O dinheiro que, por causa das medidas de austeridade, falta nas caixas da segurança social vai também para o rearmamento. Querem que os nossos jovens voltem a ir para a guerra defender os lucros das grandes empresas.

Ter pena de nós próprios, esperar numa pretensa “Alternativa para a Alemanha” ou implorar e suplicar ao governo não adianta.

 

Sem a nossa luta sindical e política não conseguiremos políticas melhores! Por isso, não vamos esperar que alguém nos mande protestar. Começamos já!

 

Sem a nossa luta sindical e política não conseguiremos políticas melhores! Por isso, não vamos esperar que alguém nos mande protestar. Começamos já! 

A discussão com os nossos colegas no local de trabalho volta a ter mais forte cunho político. “Alguém pode parar aquele que percebeu a situação em que está?”2

Aproveitamos todas as oportunidades que se nos apresentam para criticar os patrões e o seu governo. De futuro, que não haja mais assembleias de empresa, reuniões de conselho de empresa ou assembleias sindicais sem discussão política.

Ainda que de início sejamos poucos ou estejamos até sozinhos, se levantarmos a voz e tomarmos uma atitude, seremos mais.

Mal sintamos propício o clima entre o pessoal, organizaremos protestos na empresa e na nossa cidade. 

Tomamos parte activa no nosso sindicato, exigindo, o mais rapidamente possível, a organização de manifestações contra a ganância dos patrões, contra o governo e por um futuro melhor. A greve, se necessário. E se as cúpulas sindicais se fizerem difíceis, avançamos nós próprios.

1 “Subsídio cidadão” (Bürgergeld), é o subsídio social de desemprego que garante o sustento de quem não tem meios para o conseguir sozinho. O governo pretende substituí-lo por uma “prestação básica”.

2 Do poema de Bertolt Brecht “Elogio da dialéctica”. 

Quero saber mais sobre: